Torcedor morre após ser atingido por um vaso sanitário

Na noite da última sexta-feira, em um jogo debaixo de muita chuva, com público baixo e duas torcidas que, teoricamente, não têm rivalidade, mais uma morte aconteceu no futebol. Um torcedor da Inferno Coral atirou um vaso sanitário que atingiu a cabeça de um torcedor do Sport, também membro de organizada, que foi acompanhar a partida na torcida do Paraná. Um fato curioso e lamentável é que o presidente da equipe tricolor é conhecido por apoiar as facções, o que nos faz lembrar que a briga contra organizadas é quase solitária no Brasil.
Em Pernambuco, nos três grandes clubes do Estado, o presidente Glauber Vasconcelos, que assumiu o Náutico no início do ano, é quem se destaca ao combater essas "torcidas". O clube tinha uma sala para a Fanáutico, principal organizada do clube, mas o mandatário tirou a mesma da posse dos membros. Outra atitude que rendeu elogios, mas também rendeu muitas ameaças, foi cancelar os ingressos para todas as organizadas.
As atitudes de Glauber fizeram o presidente ser vítima de ameaças em jogos no Recife e até mesmo no interior. Através das redes sociais, a Fanáutico chegou a postar: "Quero ver agora seu bos.. vai ter cobrança! Você vai aprender a respeitar a Fanáutico". Mesmo assim, o presidente alvirrubro não se intimidou e continua nesta briga solitária no estado. Já o mandatário do Santa Cruz toma o rumo contrário e prefere evitar colocar a culpa na organizada tricolor, que recentemente invadiu o treino do time, no Arruda, e ameaçou jogadores.
Um caso anterior ao de Glauber Vasconcelos aconteceu em São Paulo, mais precisamente no Palmeiras. O presidente Paulo Nobre cortou qualquer relação com organizadas desde um episódio que aconteceu em março de 2013, em Buenos Aires. Membros da Mancha Alviverde entraram em confronto com jogadores, deixando alguns feridos, como o goleiro Fernando Prass. A partir daí, mais uma briga solitária seria travada. Após o acontecido, ele declarou: "Chega. Ou a cúpula da torcida afasta os agressores, ou acabou. Não teremos mais nenhuma relação com as nossas organizadas".
Uma atitude assim no Palmeiras é ainda mais corajosa, já que o clube tem um histórico enorme de violência desde os anos 90. Além de uma série de presidentes que incentivavam os atos violentos das organizadas. Vários dos membros mais antigos tentaram "fazer as pazes", mas sem expulsar os agressores, e nada adiantou. Paulo Nobre cortou todas as regalias, nas viagens, nas ajudas com o Carnaval e o principal, nos ingressos disponibilizados de graça.
Com as medidas de Paulo Nobre, o Palmeiras foi ganhando cada vez mais sócios e priorizando esse tipo de torcedor, tudo para dificultar a ação das organizadas. O caso mais recente foi em uma partida contra o São Paulo, onde a torcida palmeirense tinha direito a 700 ingressos e os sócios tinham prioridade. Três torcedores não gostaram da situação e começaram uma verdadeira bagunça, inclusive, agredindo um funcionário. O presidente do clube paulista afirmou que nada mudaria e que continuaria na briga contra as organizadas.
O caso mais recente não foi de um dirigente, mas sim de um jogador. No início do mês de abril, o atacante do Fluminense e da Seleção Brasileira, Fred, comprou uma briga com as organizadas. O "basta" do atleta aconteceu quando torcedores cercaram seu carro, nas Laranjeiras e o intimidaram, além de ameaçarem o próprio Fred e outros do elenco. Foi através do Facebook que ele iniciou esta batalha.
Veja alguns trechos do desabafo do atacante na época:
"Na minha opinião, os integrantes de torcidas organizadas não tem direito sequer de reclamar quando o time perde - tendo em vista que nem ingresso eles pagam -, quanto mais de agredir ou intimidar jogadores. Ser membro de torcida organizada no Brasil já virou profissão, meio de vida. Há casos de presidentes de facções que se elegem ou conseguem cargos políticos". Completando: "Lutarei com a arma que tenho. Por isso, a partir de hoje, as comemorações dos meus gols não serão mais para as torcidas organizadas. Meus gols serão dedicados exclusivamente aos verdadeiros torcedores do Fluzão, a não ser que a lei seja mais rigorosa ou os responsáveis por essas facções revejam o papel que elas deveriam exercer", publicou.
O que os três tem em comum além de brigarem contra as organizadas? Os três estão praticamente sozinhos nisso. Em Pernambuco, não existem outros exemplos. No caso de Fred, até o momento falta apoio de outros atletas, até mesmo do Bom Senso FC. Existem outros que querem fazer algo, mas muitos têm a ideia e poucos têm a coragem. Que surjam outros Freds, outros Paulos e mais pessoas como Glauber.

Conheça um pouco da  Inferno Coral




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